Implantes
Quanto tempo demora um implante dentário — da extração ao dente pronto
Quando há osso suficiente e o dente já foi extraído há tempo, o caminho do implante até o dente definitivo costuma levar de três a seis meses. Quando é preciso extrair o dente antes, ou reconstruir osso com enxerto, o prazo pode chegar a nove meses ou passar de um ano. A cirurgia em si é a parte curta — um implante unitário costuma levar por volta de uma hora. O que define o calendário é tudo o que acontece em volta dela.
Quanto tempo demora um implante dentário, etapa por etapa
O implante é um pino de titânio instalado no osso, que depois recebe uma coroa por cima. Entre uma coisa e outra, o osso precisa crescer em volta do pino e prendê-lo — é a chamada osseointegração. O tratamento completo costuma seguir esta ordem:
- Avaliação: exame clínico e tomografia, que mostram a altura e a espessura do osso disponível. É daqui que sai a previsão de prazo.
- Extração, quando o dente ainda está na boca: e a decisão sobre quando colocar o implante (veja abaixo).
- Enxerto ósseo, quando falta osso: pode ser feito antes do implante ou no mesmo dia, conforme o caso.
- Cirurgia do implante: em geral cerca de uma hora para um implante unitário; mais quando são vários.
- Integração ao osso: o período de espera mais longo do tratamento.
- Prótese: escaneamento ou moldagem, confecção da coroa e instalação, com ajustes.
Duas pessoas que vão “colocar um implante” podem estar em pontos bem diferentes dessa lista. Quem perdeu o dente há anos e tem bom osso começa no passo 4. Quem ainda tem uma raiz fraturada na boca começa no passo 2.
A espera que quase ninguém explica: entre a extração e o implante
Quando o dente ainda precisa ser extraído, existem três momentos possíveis para instalar o implante, e cada um muda o prazo:
- Imediato: o implante entra no mesmo dia da extração, no lugar da raiz que saiu.
- Imediato-tardio: o implante entra depois de algumas semanas até cerca de dois meses, quando a gengiva já cicatrizou.
- Tardio: o implante entra depois, em osso já parcial ou totalmente cicatrizado.
Essa classificação é a usada pela revisão Cochrane sobre o assunto, que reuniu os estudos clínicos comparando os três momentos. A conclusão dos autores é cautelosa: os estudos são poucos e não permitem apontar com segurança um momento superior aos outros; há indício de que o implante imediato pode ter risco um pouco maior de complicação e, em contrapartida, um resultado estético melhor em alguns casos.1
Na prática, isso significa que o implante imediato encurta o calendário, mas não serve para todo caso. Infecção na região, raiz que levou junto parte do osso ao sair e pouca estabilidade do pino no dia são motivos comuns para esperar a cicatrização antes.
Por que quem perdeu o dente há anos costuma esperar mais
Depois que um dente sai, o osso que o sustentava vai se remodelando e perdendo volume com o tempo. Por isso, ausências antigas — o espaço de um dente extraído há dez, quinze anos, ou a região sob uma ponte ou dentadura — são as que mais pedem enxerto ósseo.
O enxerto reconstrói a altura ou a espessura que faltam para o implante ficar envolvido por osso. Quando é pequeno, muitas vezes é feito no mesmo dia do implante. Quando é maior, costuma ser feito antes, e o implante só entra depois que o enxerto se consolida — o que acrescenta alguns meses ao calendário. O tamanho desse acréscimo depende da extensão do enxerto e da região, e só a tomografia permite estimá-lo.
O prazo do implante não se mede pelo dente que falta. Mede-se pelo osso que sobrou.
O tempo de integração ao osso: o que é e o que muda
Depois da cirurgia, o implante precisa ficar um período sem receber a força da mastigação para que o osso se forme em volta dele. Classicamente, esse período é de três a oito meses — é o que a literatura chama de carga convencional.2 O osso da mandíbula (embaixo) costuma ser mais denso que o da maxila (em cima), e por isso implantes na arcada de baixo muitas vezes podem receber a coroa antes.
Além do osso, entram na conta fatores que afetam a cicatrização de modo geral: tabagismo, diabetes sem controle e algumas medicações. Eles não impedem o implante por si só, mas são avaliados antes de definir o prazo — e, às vezes, de definir se o implante é a indicação.
Dá para sair com dente no mesmo dia?
Às vezes. Em casos selecionados — osso de boa qualidade, implante bem fixo já no dia da cirurgia, mordida favorável — é possível instalar um dente provisório sobre o implante logo nos primeiros dias. É a chamada carga imediata. A mesma revisão Cochrane comparou carga imediata e convencional e não encontrou diferença convincente de falha entre elas, nos casos em que a carga imediata foi indicada.2
O ponto importante é o “nos casos em que foi indicada”. A decisão se toma na cirurgia, medindo o quanto o implante ficou firme. Se não houver estabilidade suficiente, o certo é esperar a integração — e isso não é sinal de problema, é cautela.
Durante a espera, fico sem dente?
Essa é, muitas vezes, a pergunta real por trás de “quanto tempo demora”. A resposta depende de onde está o espaço:
- Dentes da frente: na região da frente, em geral se planeja um provisório para que a pessoa não fique com o espaço à vista durante a espera. Ele pode ser removível ou fixo, conforme o caso.
- Dentes de trás: muitas vezes o espaço fica livre durante a integração, porque o provisório poderia transmitir força ao implante antes da hora. Isso se combina caso a caso.
O provisório não é feito para mastigar com força. Durante esse período, a orientação costuma ser preferir alimentos macios do lado tratado e manter a higiene da região exatamente como foi explicado na consulta.
Depois da coroa, o implante continua precisando de você
O implante não tem cárie, mas o tecido em volta dele adoece. A peri-implantite é uma inflamação com perda de osso ao redor do implante, e o principal fator de risco é a falta de higiene e de acompanhamento. Por isso, a manutenção periódica faz parte do tratamento desde o começo — não é etapa opcional.
Quando a coroa é feita perto de onde o implante foi planejado, o caminho fica mais curto: a clínica tem laboratório próprio, o que reduz o tempo entre o escaneamento e a peça pronta e permite ajustar cor e forma sem esperar transporte.
Antes do implante: vale perguntar se o dente pode ficar
Se o dente ainda está na boca, o prazo do implante só entra na conversa depois de uma pergunta anterior: dá para manter este dente? Um canal, um retratamento ou uma coroa podem resolver casos que parecem perdidos — e o implante continua disponível se não der certo. O caminho inverso não existe: dente extraído não volta. Os critérios dessa decisão estão em canal ou implante: como se decide.
Se você já recebeu indicação de implante e quer entender se o seu caso é mesmo esse, a segunda opinião com seus exames é o ponto de partida.
Como se mede o seu prazo
A previsão real de tempo aparece depois do exame clínico e da tomografia: eles mostram se há osso suficiente, se o implante pode entrar junto com a extração e se há indicação de enxerto. Na avaliação, você vê as imagens na tela e entende cada etapa — e quanto tempo cada uma costuma levar no seu caso — antes de decidir.
Na Vitaliano Odontologia, o Dr. José Arthur C. Vitaliano atua em prótese e implante há mais de vinte e cinco anos. Saiba mais sobre implantes e próteses na clínica.
Fontes
- Esposito M, Grusovin MG, Polyzos IP, Felice P, Worthington HV. Interventions for replacing missing teeth: dental implants in fresh extraction sockets (immediate, immediate-delayed and delayed implants). Cochrane Database of Systematic Reviews, 2010. doi:10.1002/14651858.CD005968.pub3
- Esposito M, Grusovin MG, Maghaireh H, Worthington HV. Interventions for replacing missing teeth: different times for loading dental implants. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2013. doi:10.1002/14651858.CD003878.pub5
Revisão técnica: Dr. José Arthur C. Vitaliano — Cirurgião-Dentista, CRO-SP 20.022, responsável técnico da Vitaliano Odontologia.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento odontológico. Nenhum resultado é prometido: a conduta depende do exame de cada caso.
Também vale ler: como funciona a consulta de segunda opinião.